O Getsêmani da vida

03/11/2011 11:14

O Getsêmani da vida
Mateus 26:36-46
 
  Era  a  festa  da  Páscoa  judaica,  a  cidade  de  Jerusalém  estava
fervilhando  de  gente  vinda  de  todos  os  campos,  o  Sinédrio  judaico  nas
caladas  da  noite  conspirava  contra  Jesus,  e  Jesus  está  no  Cenáculo
conversando  com os  seus discípulos,  lavando os pés dos  seus discípulos,
ensinando-os  acerca  da  humildade,  acerca  da  promessa  da  vinda  do
Espírito Santo.  Jesus ora pelos seus discípulos,  Jesus ministra a Ceia para
os  seus discípulos, e neste momento,  Judas  sai para  trair a  Jesus. Este é
um  tempo  difícil, onde  Jesus  sai do Cenáculo para  ir  ao Getsêmani, que
era um jardim defronte ao templo de Jerusalém, nas fraldas do monte das
Oliveiras,  ali  havia  uma  prensa  de  azeite,  e  Getsêmani  significa  isto:
“prensa  de  azeite”.  É  neste  lugar  que  Jesus  vai  travar  a  mais  decisiva
batalha da humanidade. É neste lugar que Jesus vai prostrar-se ao chão, e
suar  sangue  e  chorar  compulsivamente.  É  neste  lugar  que  Jesus  vai  se
levantar pra determinadamente  ir para o Calvário morrer numa  cruz em
nosso  lugar  e  em  nosso  favor. O Getsêmani  da  vida  também  é  assim,  e
nele enfrentamos alguns obstáculos:
  Em primeiro  lugar, enfrentamos o drama da  angústia e da  aflição.
Para a multidão  Jesus  falou muitas coisas, mas quando ele precisou  falar
sobre o traidor ele falou apenas para os seus doze apóstolos, quando ele
entrou no Getsêmani, para  falar que a  sua alma estava angustiada até a
morte,  ele  só  disse  isto  para  Pedro,  Tiago  e  João. Mas  quando  Ele  suou
sangue, quando Ele ofereceu a Deus orações com forte clamor e lágrimas,
quando  Ele  sentiu  o  preço  do  nosso  pecado,  Ele  estava  literalmente  só,
suando  sangue,  prostrado  ao  chão.  Na  vida  nós  passaremos  pelo
Getsêmani da aflição e da angústia. Haverá circunstâncias que teremos ao
nosso  lado  amigos,  outras  circunstâncias  teremos  poucos  e  achegados
amigos, mas  na  hora  da  nossa  dor mais  profunda,  das  nossas  lágrimas
mais  quentes,  do  sangue  esvaindo-se  de  nós,  quando  estivermos
prostrados, esta é a hora em que nós beberemos deste cálice sozinho, ali
estaremos  enfrentando  o  drama  das  angústias  mais  profundas  e  mais avassaladoras. É  importante perguntar o porquê de  Jesus está  triste, por
que  a  sua  alma  está  aflita?  Certamente  não  foi  porque  o  Cinédrio  nas
caladas da noite tramava contra Ele.  Jesus não está triste apenas porque
Judas  covardemente  o  traiu  por míseras moedas  de  prata,  a  tristeza  de
Jesus não é decorrente do  fato de que Pedro haveria de negá-lo naquela
noite, a tristeza de Jesus não está no fato de que os  judeus, por  inveja, o
entregariam  a  Pôncio  Pilatos,  que  por  covardia  o  entregaria  à  cruz.  A
tristeza  de  Jesus  não  consiste  no  fato  de  saber  que  ele  vai  ser  cuspido,
torturado,  esbordoado,  que  vão  enterrar  em  sua  cabeça  uma  dolorosa
coroa de espinhos. A  tristeza de  Jesus  não está no  fato de  ser entregue
nas  mãos  dos  pecadores  para  ser  preso  numa  cruz  diante  de  dores
lancinantes.  A  angústia  de  Jesus  está  no  fato  de  saber,  que  Ele  se  faria
pecado  por  nós,  Ele  que  é  Santo,  Santo,  Santo,  haveria  de  se  fazer
maldição por nós, e haveria de beber o cálice da  ira de Deus por nós, em
que  seria  abandonado  pelo  próprio  Pai,  naquela  cruz  maldita,  para  se
fazer pecado e maldição por nós e morrer a nossa morte, para nos dar a
Vida Eterna. Na vida nós também enfrentaremos o Getsêmani da dor, da
aflição e da tristeza.
  No  Getsêmani  da  vida  nós  também  enfrentaremos  o  drama  da
solidão.  Jesus  Cristo  foi  acompanhado  por  uma  vasta  multidão,  mas
quando Ele precisou  conversar  sobre o  traidor no Cenáculo,  Ele  só disse
essas palavras para os  seus doze discípulos. Dali Ele desce para o monte
Sião,  atravessa  o  vale  do  Cedrom,  penetra  nas  fraldas  do  monte  das
Oliveiras, e quando chega ao jardim do Getsêmani, diz a Escritura que Ele
disse  para  Pedro,  Tiago  e  João  ficarem  do  lado  dEle,  para  o  assistirem,
para vigiarem com Ele, e somente para esses três mais íntimos Jesus disse:
“A minha alma está profundamente triste, até a morte”. Entretanto, Jesus
deixou os três e caminhou adiante e prostrou o rosto em terra, e clamava:
“Pai,  se  possível  passa  de  mim  este  cálice,  mas  não  se  faça  a  minha
vontade e sim a Tua”. Diz o evangelista Lucas que a intensidade da oração
de Jesus  foi tal, e a agonia dEle  foi tão profunda que Ele começou a suar
sangue.  Nesta  hora,  Jesus  estava  literal  e  absolutamente  sozinho.
Possivelmente  na  caminhada  da  vida  você  terá  amigos,  companheiros,
família,  talvez nas horas mais amargas e difíceis você pedirá a um grupo
para estar ao seu lado, mas quando você tiver que enfrentar o Getsêmani da  sua  solidão, quando  seus  joelhos  se dobrarem e o  seu  rosto  cair  por
terra,  quando  as  lágrimas  grossas  começarem  a  rolar  pela  sua  face,
quando  você  começar  a  sentir  o  drama  de  suar  sangue  e  enfrentar  a
angústia  mais  profunda  da  sua  alma,  possivelmente  nesta  hora  você
estará sozinho, este é o Getsêmani da solidão.
  Mas  Jesus  Cristo  enfrenta  também  o  Getsêmani  da  oração.  Jesus
Cristo vai ao  jardim para orar, e Ele diz aos seus discípulos:  “Vigiai e orai
para que não entreis em  tentação, a carne é  fraca”. E  Jesus agora chega
para  os  três  discípulos:  Pedro,  Tiago  e  João  e  diz  “vigiai  comigo”,  e  Ele
avança um pouco mais, e se dobra, põe o rosto em terra e começa a orar:
“Pai,  se  possível  passe  de mim  este  cálice, mas  não  seja  feita  a minha
vontade  e  sim  a  Tua”.  Jesus  se  levanta  da  oração  e  vai  ao  encontro  de
Pedro, Tiago e João, que estavam dormindo. Jesus os acorda e diz a Pedro,
nem uma hora pudestes vigiar comigo, vigiai e orai para que não entreis
em tentação; Jesus retorna ao  local solitário de oração, prostra-se com o
rosto  em  terra  e  repete  a  oração:  “Pai,  se  possível  passe  de mim  este
cálice, mas não seja  feita a minha vontade e sim a Tua”. Diz a Bíblia que
Jesus levanta-se outra vez e vai ao encontro de Pedro, Tiago e João e eles
ainda estão dormindo, e Lucas diz que eles estavam dormindo o sono da
tristeza,  e  Jesus  os  repreende  outra  vez  por  estarem  dormindo  e  não
vigiando e orando, e retorna outra vez, e Lucas nos informa que Jesus ora
pela  terceira  vez,  não  apenas  repetindo  as mesmas  palavras, mas mais
intensamente,  com  mais  fervor  e  intensidade;  e  é  aí  que  Hebreus  nos
informa  que  Jesus  ora  com  forte  clamor  e  lágrimas.  Possivelmente  as
lágrimas banharam a sua  face, molharam o chão; esse é o momento que
Lucas  informa que o suor de  Jesus começa a se transformar em gotas de
sangue  caindo  ao  chão,  mas  Ele  se  levanta  desta  oração  vitorioso,
fortalecido  e  vai  acordar  os  seus  discípulos:  “ainda  dormis  e  repousais,
levantemo-nos porque o traidor se aproxima”. Jesus agora está fortalecido
para enfrentar os seus  inimigos. Quando a turma chega, capitaneada por
Judas  Iscariotes,  Jesus  pergunta:  a  quem  buscais?  E  eles  respondem  a
Jesus o nazareno.  Jesus diz:  “Sou Eu”. E diz a Bíblia que eles  caíram por
terra. Eles se ergueram outra vez e Jesus diz novamente: a quem buscais?
E  eles  respondem  a  Jesus  o  nazareno.  Jesus  diz:  “Sou  Eu,  então  deixem
estes  outros  irem”.  Jesus  se  levanta  não  para  fugir,  Ele  se  levanta  para enfrentar  os  seus  inimigos,  Jesus  sabia  que  havia  chegado  a  Sua  hora,
aquela hora traçada na eternidade, aquela hora apontada pelo relógio do
Céu  tinha  chegado  e  Jesus  haveria  de  ser  entregue  nas  mãos  dos
pecadores para morrer numa  cruz em nosso  lugar, em nosso  favor, para
nos dar perdão, redenção e vida eterna.
  Mas  diz  a  Bíblia  que  Jesus  também  passa  pelo  Getsêmani  do
consolo.  Enquanto  Jesus  agonizava  em  oração  no  Getsêmani,  sem  a
presença de seus discípulos, sem a vigilância de Pedro, Tiago e João, diz a
Escritura  que  diante  do  drama  daquela  cena,  o  inimigo  se  aproximando
com as  suas espadas, Pedro  saca  sua espada, e  Jesus disse:  “Guarda  tua
espada Pedro, se eu precisasse, eu mandaria vir dos céus doze  legiões de
anjos”.  Doze  legiões  de  anjos  são  setenta  e  dois  mil  anjos.  Jesus  não
precisava desse exército angelical para lutar por Ele, pois exatamente para
esta hora Ele havia vindo ao mundo. Mas diz a Bíblia que Deus enviou um
anjo  para  consolar  Jesus.  Nos  Getsêmanis  da  vida,  no  vale  escuro  da
caminhada, quando  você  sentir a dor apertando  seu peito, quando  você
perceber que as pessoas mais próximas vão estar longe de você ou perto,
mas  indiferentes à  sua dor, nesta hora virá do céu um consolo angelical,
virá do  céu um  consolo extraordinário, porque Deus é um Deus que nos
consola na hora da nossa angústia, Ele é o Deus e Pai de toda consolação.
Deus não nos poupa dos problemas, Deus não nos poupa das aflições, mas
Deus nos  consola nas  aflições. Nos  jardins da  vida quando  tivermos que
enfrentar  os  Getsêmanis,  a  prensas  de  azeite,  quando  nos  sentirmos
amassados  emocionalmente, nessas  horas  passaremos  por  tristezas  sim,
passaremos  por momentos  de  solidão  também,  teremos  que  dobrar  os
nossos  joelhos com oração fervorosa e com  lágrimas. Mas é verdade que
nós  receberemos  de  Deus  o  consolo,  o  refrigério  e  o  bálsamo  da  sua
presença. O nosso Deus é o Deus e Pai de toda consolação, é o Deus que
enxuga as nossas lágrimas, é o Deus que nos apanha no colo, é o Deus que
nos  carrega  nos  braços,  é  o  Deus  que  sustenta  nossa  vida,  transforma
vales em mananciais, transforma noites escuras em manhãs radiosas e é o
Deus que põe em nossos  lábios um hino de  louvor nas noites escuras da
nossa aflição.
Rev. Hernandes Dias Lopes.